1) OBJETIVO
Observar a região não iluminada de Vênus, visando a detecção da luz cinzenta, para comprovação ou não da sua existência.
2) INFORMAÇÕES GERAIS
O astrônomo Giovanni Riccioli foi o primeiro a observar, em 1643, que o lado escuro de Vênus se apresenta ligeiramente iluminado, um fenômeno similar ao que ocorre com a Lua, denominado de luz cinzenta. Os ilustres astrônomos William Herschel e Johann Schroter, da British Astronomical Association (BAA), reportaram com frequência o fenômeno durante aparições vespertinas de Vênus que coincidiram com um máximo solar.
Com a perda da sonda Pioneer Venus
Orbiter, torna-se cada vez mais importante a observação telescópica
de Vênus visando o estudo da luz cinzenta. Diversas entidades astronômicas
tais como a ALPO, NAPO e BAA mantém campanhas observacionais com este
objetivo. Infelizmente, poucas observações têm sido colhidas
pelo REA.
A existência da luz cinzenta é um dos mais antigos problemas em
astronomia planetária que continua sem solução até
nossos dias.
3) MÉTODO DE OBSERVAÇÃO
Telescópios de 5 a 15 cm podem ser utilizados com êxito. Segundo análises preliminares de resultados obtidos recentemente, a luz cinzenta é mais fácil de ser observada com instrumentos pequenos e baixo aumento.
Observe o planeta e avalie o brilho do lado escuro segundo a escala abaixo, utilizando o céu nas proximidades do lado escuro como referência:
Estimativa Descrição
-2 lado escuro muito mais escuro que o céu
-1 lado escuro ligeiramente mais escuro que o céu
0 lado escuro com brilho igual ao do céu
+1 lado escuro ligeiramente mais claro que o céu
+2 lado escuro nitidamente mais claro que o céu
+3 lado escuro muito mais claro que o céu
Não é indispensável, mas o ideal é que se utilize
uma barra de ocultação para encobrir o lado iluminado do disco.
Uma maneira simples de se fazer uma barra de ocultação é
fixar um pedaço de papel encobrindo metade do campo da ocular.
Se dispuser de um filtro azul, repita a medida com ele. Utilize o aumento que melhor lhe convier. Recomendamos, porém, aumentos baixos, na faixa de 10 a 20 vezes por polegada de abertura.
No caso de observação de flashes ou brilhos esporádicos de curta duração, registre o horário (em TU) do início e do término do fenômeno. Deve ser registrada também a presença de outros fenômenos tais como a extensão das cúspides e irregularidades do terminador. Se necessário, utilize o verso da ficha para comentários.
4) PERÍODO DE OBSERVAÇÃO
Realize suas observações no período de 25 de março a 18 de agosto de 2007.
Marcos F. Lara REA/RJ e
Cláudio Brasil REA/SP
Diretor da Seção de Planetas Inferiores